terça-feira, 4 de julho de 2017

Um morto sem velório

aeciovel

O retorno de Aécio Neves, com um longo discurso, frio e desapaixonado, onde admite erros e com a desnecessária e evidente demagogia de, ao final, pedir o reajuste do Bolsa-Família, numa manipulação grosseira do momento foi um nada.

Ninguém o narra melhor que a repórter Talita Fernandes, da Folha, comparando o Aécio,derrotado, que entrava em festa no Senado, em 2015 e o Aécio, morto, que retorna ao Senado em 2017:

O plenário do Senado estava praticamente vazio quando Aécio ingressou. Havia uma pequena quantidade de senadores, em torno de 10, a maioria do PSDB.(…)

(Sua) fala foi encerrada com um tímido aplauso de aliados e, em acordo com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), não foram autorizadas falas no meio do discurso de Aécio, evitando ataques da oposição.

O retorno do tucano ao Senado se diferencia de um episódio que aconteceu há quase três anos, quando ele retornou ao Congresso em novembro 2014, depois de ter sido derrotado nas urnas pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Na ocasião, depois de ter se ficado fora das atividades legislativas por vários meses para disputar o Palácio do Planalto, Aécio chegou falando que lideraria o “exército da oposição”.

Em 2014, o tucano foi recebido em Brasília no aeroporto e saudado na volta ao Congresso por cerca de 200 pessoas sob gritos de “fora PT” e “Aécio presidente”. A cena não se repetiu nesta terça, e Aécio escolheu entrar no Senado por um dos anexos e não pela entrada principal, como fez em novembro de 2014, quando havia conquistado 51 milhões de votos para presidente.

Ao final, tímidos, raros e rápidos aplausos. Ninguém pede a palavra, depois, para saudá-lo.

Autorizado pela Justiça a retornar ao Senado, Aécio era um ser estranho hoje, ali.

(Por Fernando Brito in Tijolaço)

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