sexta-feira, 26 de maio de 2017

Carta a um eleitor de Bolsonaro

Leitor de Conceição Oliveira chama blogueira de “puta petista” e fala em “dar um tiro no meio do seu cu”

Carta a um eleitor de Bolsonaro
Ontem um bombeiro do GDF, chamado C Antonio Silva, fez alguns dos cometários printados na imagem em destaque. Uma legião de seres guturais tomaram conta da caixa de comentários do meu perfil do Facebook.
Comentários celebrando a chacina de trabalhadores rurais, a ditadura militar, a amputação de membros de manifestantes na marcha de ontem, comentários misóginos, fascistas.
Deletei centenas de comentários e bloqueie centenas de usuários e ainda há muito trabalho por fazer. Não tenho tempo para olhar cada perfil, profissão etc.
Vi alguns. Todos, sem exceção, falam de deus e exibem fotos carinhosas de suas famílias.
No entanto, nos perfis daqueles que eles consideram ‘comunistas’, ‘corruptos’, ‘putas, ‘vacas’, ‘arrombados’ eles destilam todas as suas frustrações.
Fazem ameaça, querem exterminar fisicamente o que consideram seus inimigos.
Escolhi um desses eleitores de Bolsonaro, que também tem como heróis Olavo de Carvalho, o juiz Sérgio Moro. A ele dirijo uma carta aberta. Segue.
Vejo que você tem uma família. Sua filha sabe ler?
O que você acha que ela pensará quando ver o próprio pai escrevendo comentários do estilo que você escreveu em vários posts de meu perfil?
O que ela pensará sobre a forma que você se dirigiu a uma mulher que nunca se dirigiu a você e que sequer saberia de sua existência se você não tivesse expresso em minha caixa de comentários toda a sua misoginia?
Será que se ela for agredida desta maneira por um brutamontes, se um ser machista, autoritário e mal educado chamá-la de ‘puta’ ou à mãe dela (e sua esposa) e mandá-la dar o ‘cu’ ou à mãe dela (e sua esposa) ela achará normal, adequado?
Afinal, se ela vê seu próprio pai se expressar desta maneira e publicamente em uma rede com mais de um bilhão de usuários em todo o planeta, ela poderá naturalizar a barbárie.
Se o pai é esse modelo de conduta misógina, como ela poderá enfrentar outros misóginos?
Você é militar?
Pelo seu perfil parece ser bombeiro.
Bombeiros são profissionais admirados socialmente.
Bombeiros são treinados para salvar vidas e não para celebrar a violência, fazer ameaças de morte e agredirem mulheres na rede.
O que o comandante da sua corporação achará da exposição de um de seus membros, comprometendo toda a corporação com comentários chulos e violentos?
Bombeiros são figuras heroicas para a população em geral e, especialmente, para as crianças.
Como será que os professores dos seus filhos ao ler o que você escreveu em vários comentários para outra professora vão pensar?
Será que se sentirão seguros perto de você?
Sei que a corporação da PM está fora das reformas do golpista Temer: vocês não terão de contribuir 49 anos ininterruptos para se aposentar e sei que funcionários da corporação tem direitos que outros trabalhadores não possuem.
Mas criminalizar os que lutaram para que a CLT fosse criada e os que hoje lutam para que ela não seja destruída não é apenas estúpido, é criminoso contra o próprio povo.
Suas agressões de baixo calão falam sobre você, sobre os eleitores de Bolsonaro, não falam sobre mim.
Como sou mãe e professora eu sei que quem luta educa, que o discurso e prática tem de ser coerentes.
Ao menos pelo bem de seus próprios filhos reflita sobre isso.
Que modelo masculino você está construindo e que sociedade você está legando para seus filhos, que um dia crescerão, irão trabalhar sem direito à aposentadoria e sem os direitos hoje garantidos na CLT?
Passar bem.
Conceição Oliveira
Leia também:
*Via Viomundo

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Desliguem o JN

Um monte de gente indignada porque o Jornal Nacional chamou os manifestantes de vândalos, porque o Bom Dia Brasil disse que a PM atirou para se defender de paus e pedras, que a Globo News só tem cagão, que o Jornal Hoje é patético.
Gente, simplesmente, PAREM DE VER ESSA MERDA.
Ver a Globo envenena a alma, traz desesperança, torna o presente ignóbil e o futuro, impraticável.
Aquilo é um negócio que nada tem a ver com jornalismo, muito menos com humanidade.
Esqueçam essa bobagem de tenho-que-ver-para-saber-como-eles-pensam.
Porra, eles não pensam! Funcionam apenas para manter o próprio negócio capitalizado, às custas dos zumbis que formaram, ao longo dos anos.
Libertem-se, vocês conseguem.
...
*Por Leandro Fortes, jornalista. Via DCM

PAÍS DA BARBÁRIE: Em cinco meses, 36 trabalhadores são assassinados em conflitos no campo

O número de mortos aumentou com a chacina de ontem, no Pará, na qual foram executados nove homens e uma mulher. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, em 2016 foram 61 assassinatos
por Cida de Oliveira, da RBA*
                                                                                          REPRODUÇÃO
violência no campo.jpg
Violência contra trabalhadores rurais tende a se agravar com avanço de medidas de concentração da terra
São Paulo – A chacina de 10 trabalhadores rurais na manhã desta quarta-feira (24), em uma reintegração de posse de um acampamento na Fazenda Santa Lúcia, município de Pau d’Arco, no sudeste do Pará, elevou para 36 o número de assassinatos só em 2017 – mais da metade dos 61 registrados em 2016. Os dados são da assessoria de comunicação da Comissão Pastoral da Terra (CPT). 
A chacina de ontem, que ficou conhecida como massacre de Redenção, aconteceu um dia após o ato-denúncia contra a intensificação da violência no campo e pelos direitos, realizado em Brasília pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), com apoio da CPT, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outras entidades.
O número de conflitos e mortes de 2016 tende a aumentar. Segundo a CPT, é o reflexo do aumento da criminalização dos movimentos sociais, da atuação desproporcional das polícias e da aprovação de medidas que agravam os processos de concentração e privatização das terras brasileiras, especialmente pelo capital internacional. 
Em abril, a CPT divulgou seu relatório Conflitos no Campo - Brasil 2016, em que destacou os 61 assassinatos ocorridos no ano passado, o maior número já registrado desde 2003. E a violência não dá trégua em 2017. Até o momento, já são 26 pessoas assassinadas em conflitos no campo brasileiro – as mortes ocorridas ontem em Redenção ainda não constam nesta relação. E no último dia 19, completou-se um mês da Chacina de Colniza, no Mato Grosso, quando nove trabalhadores rurais foram brutalmente assassinados por um grupo de homens encapuzados.

Redenção

De acordo com a CPT, corpos de cinco vítimas estão no Instituto Médico Legal (IML) de Marabá, e cinco em Parauapebas, também no Pará. Até agora não foram divulgados laudos.
As vítimas foram mortas durante ação de reintegração de posse cumprida por policiais militares e civis, determinada pelo juiz da Vara Agrária de Redenção. Segundo a comissão, o juiz ignorou orientações da Cartilha da Ouvidoria Agrária Nacional e nas diretrizes do Tribunal de Justiça, segundo as quais esse tipo de ação deve ser realizada por batalhão policial especializado.
Em outubro de 2016, durante reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, na sede do Incra, em Marabá, o coordenador do acampamento Nova Vida, Ronaldo da Silva Santos, informou que as 150 famílias acampadas desejavam que o imóvel fosse destinado para a reforma agrária. As famílias estavam acampadas na área desde 18 de maio de 2015.
O então superintendente regional do Incra em Marabá, Claudeck Alves Ferreira, assumiu compromisso com Ronaldo de se reunir com o proprietário da fazenda e negociar sua destinação à reforma agrária. Porém, segundo Ferreira, a área não poderia ser desapropriada enquanto estivesse ocupada.
*Via http://www.redebrasilatual.com.br

Charge do KAYSER





*Via http://blogdokayser.blogspot.com.br/

Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo dizem que PM e Forças Armadas servem a um governo moribundo



Por Marco Weissheimer, no Sul21*
As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo condenaram, durante ato realizado no início da noite desta quarta-feira (24), em Porto Alegre, o aparato militar utilizado para reprimir os milhares de manifestantes que participaram de uma caminhada em Brasília em defesa da renúncia de Michel Temer e da realização de Diretas Já. A condenação se estendeu às Forças Armadas que foi chamada por Temer para cercar o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios na tarde desta quarta. Em nota, as organizações que integram as duas frentes afirmaram que as Forças Armadas “rebaixaram seu papel para servir a um governo moribundo”.
No início da concentração do ato, por volta das 18 horas, na Esquina Democrática, praticamente todas as atenções estavam voltadas para os acontecimentos da tarde em Brasília. Como estão as coisas? Notícias sobre feridos? É verdade que Aécio foi preso? – essas eram algumas das perguntas que se ouviam no local. Enquanto as pessoas iam chegando para a manifestação, representantes de organizações que integram a Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo se alternavam em intervenções em um caminhão de som, falando sobre os últimos acontecimentos e sobre os desafios colocados para o futuro próximo.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Edegar Pretto (PT) esteve no local para levar sua solidariedade aos manifestantes. Ele destacou o caráter de resistência da manifestação e defendeu o afastamento de Michel Temer, a convocação de eleições diretas e a interrupção da votação das reformas da Previdência e Trabalhista no Congresso Nacional. (...)
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Michel Temer, você é um covarde e irresponsável


cavalria2

Por Fernando Brito*
Eu acuso diretamente, Michel Temer, porque há falta, neste país, de quem aponte o dedo aos desavergonhados e assim os trate, sem temor.
E não faço com prazer, porque me acostumei, como jornalista e quando servidor público, a tratar a todos com urbanidade e gentileza, que é meu normal, até quando os desaforos que ouço são dirigidos a mim.
Mas não quando são ao meu país e às nossas liberdades, ah, não.
Porque para combater, vá lá, duas dúzias de baderneiros que se metem numa manifestação pacífica – que o seu general Etchegoyen sabe perfeitamente quem são, ou deveria saber – o senhor faça esta pataquada de “chamar o exército” para uma ação repressiva contra multidão, que é algo da maior gravidade.
O que poderiam ser incidentes localizados, no máximo, pelas ordens dadas a uma polícia acostumada a bater e bater, virou um conflito.
Não é a “baderna” que o senhor quer enfrentar, porque foi um dos que a provocou, é a sua inexorável ruína.
Este cenário era tudo o que o senhor queria e podia e eu o acuso de tê-lo construído para tentar ocultar o desprezo que, neste momento, lhe nutrem 99% dos brasileiros.
É o seu discursinho finório de que, sem o senhor será caos na economia e, agora, será o caos nas ruas.
O caos é você, Michel Temer, que nem mais o tratamento de senhor ainda merece.
É  apenas um bandido flagrado às combinações como empresário que agora chama de bandido e que se escuda nos eventuais picotes de uma gravação para esconder o óbito: tramava com ele falcatruas num diálogo indigno de um chefe da nação.
E que agora não mede mais o preço de manter-se no cargo que não ganhou pelo voto e vai perder por indecoroso.
O seu abraço de afogado não vai levar de roldão a democracia, não vai.
Ela custou a minha juventude e todas as que tivesse as daria para isso.
Porque é isso que faz com que eu envelheça sem envelhacar-me, como tanta vezes disse Ulisses Guimarães, que nunca o tratou como mais que um pequeno oportunista.
Oportunista que foi tragado pela própria esperteza e pequeno, ah, Michel,  pequeno como um anão moral, que não cessa de revelar-se menor ainda a cada dia.
*Jornalista, Editor do Tijolaço